Não acorde.
domingo, 3 de janeiro de 2010 @ 16:28
Chovia e era noite. A lua às vezes se mostrava, minguante e branca, brilhante. O chão estava molhado e refletia as luzes amarelas que marcavam minha visão.
No seu sorriso havia encontrado uma razão pra seguir. Na minha vontade, havia encontrado o mais belo dos desejos, o mais puro e mais forte. Era algo que de todas as formas, eu sempre tentei tornar possível, e você cada hora tornava isso mais fácil. Era como se eu me sentisse completa quando ouvia seu coração. Eu sabia, ali era meu lugar. Ali eu poderia nascer de novo, poderia padecer sem nem me preocupar com o que viria depois. A única coisa que eu lhe pediria era que pudesse encostar-me a seu peito e ficar ali, enquanto você respira. Somente isso, e não parecia que pedia demais. Ser tomada por aquele perfume indecifrávelmente suave era como um entorpecente, uma algema - me deixava presa o suficiente a que não quisesse mais sair. Abri um pouco meus olhos e pude ver seu rosto, que sorria singelamente, e o olhar cuidava-me para que não me acordasse.
A porta se abriu. O quarto estava iluminado pelo sol, o vento fresco da manhã me invadiu as narinas. Abri meus olhos e suspirei. Acordei.
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Outros de mim.
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